quarta-feira, 24 de setembro de 2008

O amor em setembro

Existe amor pra tudo. Amor pra se guardar, amor pra se esquecer, amor que te contagia, amor que te envenena. Existe amor pra tudo mesmo. Amor pra dar, pra receber, amor pra se viver, amor pra se matar... O amor é um ser mutante; cada hora se manifesta de uma maneira diferente.
No entanto, mesmo de cada jeito deixa sua marca, seu rastro, seu perfume, sua cicatriz, sua lembrança, sua memória, sua saudade, sua fisgada, sua tatuagem. Quem já amou na vida sabe do que estou falando. Mas será que o amor desaparece, acaba de vez e some? Será que se dilui com o tempo, com o vento, com as lágrimas, com os pés de galinha no canto dos olhos? Na verdade, creio que não. O amor além de ser mutante é um ser imortal. O amor finge que vai embora. Será que ele te dá um tchau, bate a porta da tua casa levando os trapos e desaparece? Que nada!!! O amor que bate a porta com toda força é o mesmo que se pinta de capeta e que arromba essa mesma porta, intitulando-se de ódio. E esse “ódio” entra, quebra todos os bibelôs da tua estante, pisa nas tuas plantas, picha as paredes com palavrões, se embriaga com toda a bebida e depois, cansado, sai correndo rua afora. Nessa hora, longe de tudo, o amor completamente bêbado irá jogar a máscara de Clóvis no lixo e começará a chorar como uma criança órfã de pai e mãe.
Depois, o amor dá um tempo. Manda dizer aos quatro cantos que morreu num hospital vítima de doença degenerativa e que sofreu até o último suspiro. Quando isso acontece, a casinha novamente é arrumada. Tudo é posto no seu devido lugar. Mas o impressionante mesmo é que basta chegar com flores pra enfeitar o lar para aparecer... O Próprio!!! (O amor tem um olfato daqueles!) Você leva um susto, acha que está vendo assombração, mas ele se explica. Humildemente, esclarece que sumiu pra pensar, pra colocar o sentimento no lugar. E volta. Volta mudado, singelo, transformado. O amor pode retornar incorporado no mesmo corpo ou em corpos distintos. E você que achava que tudo aquilo tinha sido enterrado, que aquele sentimento havia desaparecido e que realmente aprendeu a viver feliz sem ele, se surpreende. Pra melhor ou pra pior, vai saber...
O amor tem dessas coisas. Amor que é amor vem, vai embora, faz uma viagem, mas volta. Volta com a cara do último lugar que visitou. Ele pode retornar mais ameno, mais tranqüilo, mais sóbrio, mais resignado, mais revoltado, mais maduro, mais forte, mais fraco, mais irresistível, mais insosso, mais fraternal, mais apaixonante, mais louco, mais sincero, mais sóbrio, mais desequilibrado, mais doce, mais intragável. Agora morrer não morre não, pode apostar. E é em setembro, no mês das flores que o amor renasce! O cheiro das flores atrai esse espírito imortal, mutante, artista e revolucionário. Ele então ou utiliza os antigos e conhecidos corpos, ou parte em busca de novas “cobaias”. Não importa, o que importa mesmo é que ele vem com toda a alegria da primavera jurando pra você de pés juntos que dessa vez, de verdade, veio pra ficar do teu lado pra ser feliz PARA SEMPRE. Basta somente acreditar. Será??? (Roberta Mattoso)

2 comentários:

Paola disse...

Esse texto eu já conhecia do seu orkut, mas mesmo assim não resisti e li de novo. Muito bom amiga e como sempre tem tudo a ver com vc.
beijos

Paola disse...

Esse texto é maravilhoso.Realmente o amor se apresenta de todas essas foras. Lindo!!!
Beijos